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Episódio 50: Hugo Candeias

Uma refeição num restaurante pode ser comparável a uma experiência artística? Hugo Candeias, chefe de cozinha, diz que sim e vai mais longe: criou um menu para ser provado no restaurante de uma galeria de arte no coração de Lisboa. Fomos conhecê-lo ao The Art Gate.

Pode não ser um projeto totalmente inédito, mas não há-de andar longe: um hotel que é também uma galeria de arte e um restaurante. O The Art Gate fica situado no coração do Bairro Alto, no Largo da Trindade, em Lisboa, paredes meias com o Teatro da Trindade e com uma série de outros restaurantes que levam, até esta zona, muitos curiosos pela arte de sentar à mesa.

Hugo Candeias, de 32 anos, é o chefe responsável pelo lado gastronómico do The Art Gate, projeto que arrancou em meados de Março, e que tem esse objetivo de claro de ser um três em um, em que todos os espaços coabitam harmoniosamente: espaços de descanso com arte espalhada nas paredes e, aquilo que hoje nos trouxe aqui: arte à mesa.

A conversa com o chefe Hugo Candeias acontece na sala de jantar, numa mesa única para 12 comensais (nesta altura pandémica, em que as medidas de segurança são mais apertadas). Atravessando uma porta, aterramos na cozinha onde um balcão tem capacidade para acolher mais quatro pessoas que se sentam na chamada “Chef’s Table” – um outro espaço perfeito para ficar a conhecer, ao pormenor as ideias do chefe que regressou a Portugal há cerca de ano e meio, depois de uma aventura de quatro anos em Barcelona, onde – por exemplo – foi chefe executivo em restaurantes de Albert Adriá.

A influência das cidades das artes

É impensável não conversar com o chefe Hugo e não falar da importância dessa passagem pela capital catalã, onde todo o conhecimento e toda a técnica foram elevados a um outro patamar. Não só pela experiência na cozinha, mas também pelo próprio lado mais artístico e dinâmicas culturais de Barcelona.

A experiência trouxe Hugo Candeias de volta ao seu país, para liderar uma cozinha ousada, muito imaginativa e sensorial, requintada e, também, de mente aberta, a convidar a múltiplas interpretações e conversas, em muita segurança, numa refeição que pode contar com um também, certamente, quase inédito pairing de chás.

Depois de uma primeira experiência de menu de degustação que não correu como Hugo Candeias e a sua equipa desejavam – e o chefe explica isso mesmo neste episódio – no outono arranca uma “segunda temporada” do The Art Gate com novas propostas, mais outonais, com sabores mais reconfortantes para uma altura em que a comida com memórias de casa é, talvez, o que nos faz sentir melhor.

Fotos: © Armando Jorge Mota Ribeiro

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