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Episódio 26: Leopoldo Garcia Calhau

Leopoldo Garcia Calhau está, há seis meses, a viver num sonho com quase uma década. A Taberna do Calhau, por si “levantada” é uma homenagem à tradição e uma declaração de amor às suas origens alentejanas.

Entrámos na Taberna do Calhau numa quinta-feira de manhã, bem cedo. Outono adentro, porta no Largo das Olarias, na Mouraria, aberta e Leopoldo Garcia Calhau de mangas arregaçadas e avental posto sentado ao computador e rodeado de papéis a escutar uma playlist ambiente, feita com carinho, que naquele momento era uma espécie de jazz festivo à moda de Nova Orleães.

Está em casa, Leopoldo. Na casa com que sonhou quando há cerca de uma década começou a levar a sério uma vida de cozinheiro. Para trás – ou numa via paralela – ficou a profissão de arquitecto. Cansou-se de burocracias relacionadas com projetos. Hoje as burocracias são as facturas, o contacto com produtores, mas para essas Leopoldo Garcia Calhau já tem pachorra.

Homenagem à tradição

É um chefe de cozinha que sofreu aqueles desvios na vida. Um abanão ou uma viragem à esquerda quando percebeu que os estiradores e visitas a obras já não era o que o satisfaziam. Ao invés, Leopoldo queria ligar-se à comida, à tradição, às memórias do Alentejo de mãe e pai.

Atirou-se às cozinhas, dedicou-se à criação gastronómica, formou-se e passou pelo Sociedade, na Parede; pelo Café Garrett, em Lisboa, e há meio ano abriu, no Largo das Olarias, na Mouraria, a Taberna do Calhau.

É um nome que descreve bem as intenções de Leopoldo: cozinha despretensiosa, feita com o coração para abraçar as memórias – as dele e as nossas. Se o visitante não as tiver, pode começar a criá-las por aqui, nesta Taberna desenhada e levantada pelo próprio Leopoldo, que não tem só a assinatura dos pratos, mas também de todo o projeto.

Para já, esta é a forma mais imediata do chefe estar ligado ao seu Alentejo. Mas se projectarmos Leopoldo num futuro de uma década, é quase automático imaginá-lo a fazer aquilo que faz hoje, mas a 200 quilómetros de Lisboa, mais para o interior do que no litoral. “Seria super-coerente, e ouro sobre azul, fazer Alentejo no Alentejo.”

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